sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Opcoes de escolas

Meninas,

Essa semana fui a tres escolas.
Uma diferente da outra:
a outra opcao dentro da comunidade judaica
uma tradicional renomada aqui pertinho
uma bilingue.

A bilingue que visitei era acanhada e foi a que menos me agradou. Definitivamente, não encontrei Beatriz ali. Não encontrei ela no parquinho com grama artificial e piso antiderrapante e antiimpacto. A areia era sintetica, despejada dentro de um pote plastico gigante. Os brinquedos carissimos e intocados, comprados ha pouco tempo reluziam demais. As salas, cheias de cartazes coloridos em ingles não a encantariam. Salas grandes, super equipadas e um play pequenininho a 400m de casa.
Merenda fornecida pela escola, sem opcao de almoco ou integral estendido. Adaptacoes para o kasher teriam que ser estudados.
4 horas de aula, sendo que 1x por semana ela teria musica e 1x por semana educacao fisica. 30 minutos por dia no play minusculo. Dias de chuva seriam embolorantes dentro da sala de aula.
Ela vai ser fluente em ingles, disse a coordenadora, enquanto me contava que na semana da pascoa um coelho passaria os dias la. Um coelho. Pascoa.
Era para ser uma escola laica. As pessoas desconhecem que a pascoa é catolica???? Coelho...
Sai de la vendo o seguinte cenario: beatriz encantada com o coelho, com os ovos, com o papai noel. Beatriz enclausurada naquela sala, como que uma prisioneira, com seus 30 minutos de sol por dia. Na hora do lanche, a judia, a estranha, comendo o lanche adaptado.
Aquela não era a escola para a gente...

Fui na escola da comunidade.
Dentro do clube, estava la a escola que eu recusei a fusão.
Duas salas por turma, de 20 criancas cada. Muitos amiguinhos para Beatriz.
Olhei nas salas - minusculas se comparadas as da escola bilingue - e achei-as tao baguncadas!
Não tinham as paredes reluzentes da bilingue. Não tinham os cartazes coloridos.
A coordenadora não era uma pessoa muito afetiva - era uma pessoa bem pratica. E tocava a escola de forma pratica. Uma sala arrumada, a outra tão baguncada. Talvez cada professora fosse de um jeito, afinal. Acho inclusive que fui num dia ruim, pois algumas professoras não estavam com uma cara muito boa.
Na hora em que fui ver a cozinha, uma menina de 4-5 anos chegou na porta da cozinha e disse para a auxiliar: "eu quero pão". Oi???? Fulana, bom dia. Fulana, por favor? Me desagradou.
Logo em seguida, elas me tranquilizaram mostrando os lanches kosher, produzidos la mesmo, assim como o almoco, tambem kosher. Beatriz poderia comer o mesmo que os amiguinhos. Alivio.
E a estrutura do clube era realmente encantadora. Brinquedotecas, bibliotecas, parques, bosques, quadras. Tudo com S. Duas, tres opcoes. Para dia de sol, para dia de chuva, para tempestade.
Nada de coelho. Ambiente judaico. Eles ensinariam a religiao, os costumes, e Beatriz viveria imersa nisso. Assimilaria a identidade judaica.
Peguei uma hora de transito para voltar para casa e voltei conformada pela escolha, feita sem outra opcao de escolha. Me doeu o peito não ter mais a escola com as paredes cheias de amor, com o pateo com o abacateiro, com as tartarugas, periquitos, peixes, com aquela areia azul. Acho que ainda estou de luto pelo fechamento da escola.

Hoje, quase cancelei a visita, mas resolvi ir na escola aqui pertinho. Escola antiga, tradicional. Minhas primas estudaram la. Minha bff tbm. 250m de casa.
Uma casa de dois andares, construida para ser uma escola de ensino infantil. Duas secretarias simpaticas me receberam, e logo vi tres maes em adaptacao. Era eu, ha um ano atras.
Na hora marcada, a coordenadora chegou. Nova, mas com os olhos verdes abertos, voz suave e portugues impecavel me recebeu de forma afetuosa e atenciosa. Me mostrou a escola, que mais parecia uma casa de praia com suas janelas imensas em madeira, voltadas para o jardim com os patos, porquinhos da india, areia, jabuticabeira e brinquedão. Sim, brinquedão, daqueles de madeira, como os de antigamente. Ah, e areia daquelas de construcao, sabe?
Um monte de criancas estavam no pateo, e brincavam uniformizadas.
Me mostrou as salas, o atelie de pintura, a cozinha, me explicou a grade, vi todas as series em suas salas de aula, alguns alunos em adaptacao. Os banheiros, tudo tudo tudo.
Professores especificos para musica, educacao fisica, artes, culinaria, ingles.
Professoras com a cara de limpas, felizes, bem cuidadas.
Criancas educadas.
Areia natural.
Me senti em casa, livre, acolhida. Me encontrei.
Mas quem sera Beatriz se eu optar por essa escola?
Sera ela a diferente? A judia? A unica da sala que nao vai comemorar o Natal?

E como vou explicar para ela que apenas ela e diferente? Se tenho a opcao de explicar que ela é como os amiguinhos.... Que ela pode comer tudo que os amigos comem... Que os amigos comemoram as mesmas festas que ela.... Acreditam o mesmo que ela.....

Fica dificil nao ir para a escola judaica.

Me encantei com a de hoje. Pertinho. Puta escola. Vai ate o EM. Pedagogico fenomenal.

Mas o que uma crianca precisa, afinal?
Como escolher a escola?
Como criar uma identidade judaica se eu optar pela escola laica forte?

Estou melancolica. Tonta. Pensativa. Chorosa.
E tentada a optar pela unica opcao que nao optei.
Escolher a que não quero escolher.
Mas formar a identidade judaica. Colocar de lado o pedagogico e optar pelos valores, pela religiao. Retomar o pedagogico daqui a uns anos. Na escola judaica ela sera cuidada, sera amiga dos filhos dos amigos, vai crescer num mundo de iguais a ela. Acho que fica mais facil da crianca se encontrar no mundo se a gente acertar na escolha da escola.
E me lembro que ainda tenho mais quatro visitas pela frente. E ja nem sei se vale a pena ir, me encantar, e aumentar essa minha duvida.
Não sei nem se eu tenho escolha, afinal...

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Votação e suas consequencias.

Meninas,
entre viagens e ferias, me envolvi muito com a questao da escola da be.
Sendo uma escola comunitaria, tinhamos direito ao voto. Segundo o estatuto, se 1/3 fosse contra, nao haveria a fusao.
Me envolvi muito.
Me desgastei.
Fiz planos, estudos, sonhos. Falei com muita gente.
Fiz amizade com muita gente tambem. Partilhavamos do mesmo ponto de vista e encontramos muitos pontos em comum.
Na quinta feira, dia da votacao, acordei muito animada.
Ganhando o NÃO, iriamos contratar uma consultoria e profissionalizar a escola.
Chamar alunos.
Abrir aulas a tarde.
Ideias, sonhos, propostas.

Tinhamos o apoio de muita gente e os professores estavam conosco. Acordei feliz e fui determinada para a reuniao.

Na reuniao, muita coisa aconteceu. Foi feita uma apresentacao que incluiu propostas diferentes do que havia sido dito. Numeros maiores o que haviam sido mostrados. Promessas.

Me mantive firme em meu proposito. Para falar a verdade, nao ouvi direito a apresentacao, queria logo dizer que o meu voto era NÃO. Era contra tudo aquilo que estavam fazendo, extinguindo a nossa escola. Ouso dizer nossa, embora tenha apenas um ano de escola, me sentia parte daquilo. E estava disposta a lutar por ela, dar a volta por cima.

O fato é que cada um tem seu ponto de vista, suas peculiaridades e necessidades. Muitos se sentiram acuados na votacao, outros acreditaram nas promessas e nós perdemos por 8 votos.

Oito pessoas.

Dessas oito, muitas mudaram de ideia na hora. Outras foram embora antes da votacao. Se foi limpo, se foi correto, dá pano para manga essa discussao. Quem ganhou acha correto, quem perdeu acha errado. A votacao foi feita e o destino foi selado.

E voltei para casa triste, mas pensando. 72% era a favor da fusao.
Eu e mais uma pá de gatos pingados, conseguiríamos tocar a escola?
Provavelmente nao.
A vantagem da escola comunitaria é poder ter decisao de voto, e eu tive minha decisao, lutei por ela ate o final. Apos a apresentacao, o marido quis votar a favor, mas votou nao por mim. Achei fofo.

Mas fiquei aliviada.

Se aqueles oito tivessem votado nao... estaria agora sozinha. Com uma escola para cuidar, para levantar, sendo que 70% teria sido contra, teriam dado as costas, e como eu faria?

De tudo isso, aprendi muita coisa. Vi muita mae sem tomar partido. E invejei-as.
Dai a mineira comentou num post como sou guerreira, e vi que ela tem razao. Sou guerreira, luto pelo que acredito, pelos meus sonhos. Nunca tive nada de graca e sou acostumada a lutar. E lutei ate o fim e defendi a minha opiniao.

E me orgulho de ter assumido a minha posicao sem ter criado arestas. Percebi que a maioria criou arestas e ontem percebi a escola dividida entre o SIM e o NÃO. E fui numa festinha de uma mãe SIM, sem esconder de ninguem que eu era NÃO, e notei que poucas criancas foram.

Onde esta a tolerancia, o respeito?

Me chocou aquilo.

Facil demais conviver com o seu igual. Com quem pensa como vc, com quem vai nos mesmos lugares que vc. Mas cade a riqueza da vida? Onde esta o respeito, a tolerancia? Sim, eu penso diferente de vc. mas te respeito. E respeito a sua decisao! E podemos conviver e ser amigas se eu penso A e vc B. Mas parece que esse mundo esta chato demais..... e as pessoas burras demais.

E me partiu o coracao ver aquela mae com a festa vazia. Uma pessoa do bem, que assim como eu, tomou partido. Por acaso, partido oposto do meu. Mas ela me respeitou e eu respeitei ela. E veja: independente do voto, todas seremos refens das consequencias. Para o bem ou para o mal, todas teremos que mudar de escola, todas faremos novas escolhas.

Levantei nove escolas.

Uma judaica e oito laicas.
Duas sao bilingues.
Duas top de enem.
Uma construtivista.
Duas perto de casa.

Vou ver, ver ver.
Sentir, pensar.
Repensar.

Hoje tenho minhas preferencias, mas aprendi muito desse processo e nao quero tomar uma decisao com minhas preferencias, pre-conceitos. Quero ir sem julgamentos, ouvir o que cada uma tem a oferecer, analisar as maes. E tenho um ano todo pela frente.

Nesse ano, quero comemorar minha vida. E farei isso no dia 19 de maio.

Quero engravidar. Vou tentar naturalmente, mas se nao rolar, volto para a dra sem traumas.

Quero estreitar amizade com as maes que valem a pena, e garantir que Beatriz tenha amigos realmente bacanas, independente de onde eles vão, cabera aos pais manter essas amizades.

Quero fazer uma festa de aniversario para a Be num buffet. Sera uma despedida desses amiguinhos, quero poder ter espaco para convidar todos.

E nos proximos seis meses, vou escolher a escola que achar que é a melhor para minha filha, que combine com o que sinto, com o que penso, com o que vivo.

É isso. O ano esta oficialmente comecando.
Depois passo para contar da viagem que fizemos para Portugal. Adianto: foi o maximo!!
Bjs


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

2016 - estou de volta!

oi meninas
que saudades.
saudades de postar, de abrir meu coracao, saudades de ler os comentarios.
Esses dias passei muito angustiada. A tendinite melhorou, mas tenho certeza que esse post vai doer meu pulso a noite. Mas passei muito angustiada os ultimos meses. Engordei. Nao durmo direito. Ja estive do lado de ca, em cima do muro, e ontem a noite conversei com D'us. Pedi para ele me mostrar o que devo fazer. E Ele, lindo, fiel, que sempre me escuta, me mostrou o caminho a ser tomado.
Hoje estou como sempre estive, como sempre fui: confiante e otimista. VAI DAR CERTO.
E dai vcs me perguntam? O que??? O que pode ter te tirado o sono, a paz, a serenidade, a esperanca?
A escola da Bia.
Em novembro, fomos comunicadas que a escola estava falida, ia fechar, e para evitar o fechamento, seria absorvida por outra. Usaram a palavra fusao, mas a escola dela, que vai ate o ensino medio, passaria pelas seguintes etapas:
infantil - que é onde ela esta - seria fechado e os alunos poderiam tentar vaga na escola do clube. (olha, vc vai trocar essa bmw por essa caixinha de fosforos tá??)
fundamental 1 - passaria a ser o metodo revolucionario da nova escola
fundamental 2 e ensino medio - manteriam a escola dela e a outra, por 5 anos, para entao passar a ser a outra escola.
No predio da outra escola, com os professores da outra escola e com o nome da outra escola. Por isso via como absorcao e nao como fusao.
Um grupo de pais se levantou e foi de cara, contra essa fusao. Ou absorcao. Sei la.
E desde entao, instalou-se uma guerra de egos, de informacoes, e duvidas e insegurancas.
E teremos a votacao em breve e um estudo provou que é viavel a sobrevivencia da escola sim. Claro que para tanto teremos que fazer sacrificios e trabalhar muito, mas economicamente, ela consegue sobreviver sem a absorcao.
Nao vai ser facil, mas sinto que lutar pela escola vai ser o melhor caminho. Garantir uma escola de qualidade para minha filha. Daqui a uns anos, beatriz se orgulhar e dizer: "minha escola quase fechou, mas um grupo de pais lutou para ela existir, e olha só, eles conseguiram"
Na crise em que estamos, ver as professoras, assistentes, coordenadoras que ampararam a mim e a Be no olho da rua. Sem eira nem beira. Não posso aceitar.
Hoje tive a prova de que ainda podemos ter esperanças, de que ainda há jeito.
Eu fui fivete, fui tentante. E a gente não desiste facil. Estamos acostumadas com tanto não. Mas se 1% é sim... sim será.
Eu não desisto enquanto há chances.
Estou de volta.
Tudo isso esta consumindo meu tempo e meu sono, estou mais afastada do blog e peco desculpas por isso.
Quero falar das ferias, do museu, dos passeios que fiz com ela.
Quero leva-la ao museu 1x ao mes esse ano.
Quero esse ano ser mais discreta, me expor menos, me dedicar mais a minha familia.
Quero esse ano aumentar a familia.
Quero controlar meu humor, que apos a operacao ficou instavel.
Vou ainda contar tudo isso... e ainda tenho tanto...

Voltei.
Feliz ano novo para vcs!!